Quem Somos

A história dos Jardins-Escola João de Deus tem origem na constituição da Associação de Escola Móveis pelo Método de João de Deus, fundada a 18 de Maio de 1882, por iniciativa de Casimiro Freire, secundado por algumas personalidades destacadas do seu tempo como Bernardino Machado, Jaime Magalhães Lima, Francisco Teixeira de Queiroz, Ana de Castro Osório e Homem Cristo, entre outros.

actualidade

Há cerca de cem anos o nível etário da educação inicial baixou e passou a dar-se maior atenção às crianças com menos de 7 anos. Era o início da Educação Pré-Escolar, em relação à qual algumas linhas pioneiras se tinham feito anteriormente anunciar.

Em Portugal, nasceram os Jardins - Escolas graças à iniciativa de João de Deus de Ramos que encetou em Coimbra a cruzada da formação e educação. Coimbra foi a primeira localidade a usufruir deste privilégio e a acarinhar esta obra, na presença do reitor da Universidade, Sr. Daniel de Matos “ Teve esta direcção a glória de inaugurar o seu primeiro jardim – escola, em Coimbra. Com numerossima concorrência de povo e crianças, em sessão solene e, sob a presidência de sr. Daniel de Matos, reitor da Universidade, teve logar a inauguração do Jardim – Escola João de Deus… ” (Relatório de contas, 15 de Maio de 1910 a 31 de Julho de 1911) .

Ocorre no ano de 1911, e é João de Deus Ramos, contemporâneo de Decroly e Maria Montessori, que representa em Portugal o movimento da “Escola Nova” de que era entusiástico defensor, que cria em Coimbra o 1º Jardim-Escola.

Inauguração


"No dia 2 de Abril inaugurou-se em Coimbra o primeiro Jardim-Escola João de Deus. Foi uma festa lindíssima, carinhosa e comovedora, apesar da chuva incerta da Primavera, que tudo alagava, mas que não conseguia emudecer a voz fremente, a voz alegre, da seiva nova, como não afastou daquela cerimónia, onde o elemento oficial estava largamente representado, a curiosidade simpática da multidão. Houve discursos, recitaram-se versos, e as mais altas personalidades de Coimbra, e os melhores representantes das últimas gerações, vieram ali prestar, a João de Deus Ramos e à sua obra, a homenagem da sua admiração e do seu respeito. Nem sequer faltou a elegância das senhoras, coleante e fina, naquele recinto de conforto e de paz, que Raul Lino planeou com a ternura sempre vibrante da sua alma de poeta. Mas, o que sobretudo me impressionou nesse dia, foi o acolhimento de entusiasmo que o Jardim-Escola teve por parte do povo, do povo para quem ele se construiu, do povo que sabe, ou sente, que a ideia fundamental que presidira à fundação daquela casa fora simplesmente esta: dar às classes populares, as únicas ainda sadias e fortes no país, educando-lhes os filhos, mais uma possibilidade de ressurgimento e de progresso." (Texto original de João de Barros, sobre a inauguração do Jardim-Escola de Coimbra, no "Boletim de Propaganda, ano I, nº4, da Imprensa Nacional de Lisboa", 1911).

Concretiza assim o “projecto-sonho” de João de Deus. “Se a escola é a preparação para a vida todas as crianças têm direito a ela.”O Jardim-Escola foi construído em Coimbra, produto dos espectáculos do Orfeão Académico sob a regência de António Joyce. O projecto coube ao arquitecto Raul Lino. O terreno foi cedido pela Câmara Municipal, então presidida pelo professor da Universidade, Dr. Marnoco e Sousa.

A sessão inaugural presidida pelo reitor da Universidade revestiu-se de uma certa pompa “E, para quem assistisse à festa, esse aspecto melhor se definirá, ao recordar o interesse infatigável que se lia nos olhos da multidão anónima que enchia as salas, um pouco pasmada, é certo, mas sobretudo atraída, seduzida e talvez grata…” (Azevedo, 1997).

Nesta sessão não faltaram os discursos de diversas individualidades e a participação das crianças cantando a « Portuguesa», acompanhadas pela banda infantaria 23.

Um dia memorável com um multidão  a participar na manifestação inaugural, onde João de Deus Ramos proferiu palavras elogiosas para a cidade de Coimbra, para as suas gentes e instituições, sublinhando a ação meritória do Orfeão.

Na véspera da inauguração houve um sarau, em que o Orfeão cantou os seus melhores trechos e em que colaboraram alguns poetas ilustres, nomeadamente o poeta Afonso Lopes Vieira.